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24ª Edição  - 16-17 de Junho/2027
Hotel Windsor Oceânico 
R. Martinho de Mesquita, 129 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 22620-220

Resposta da Demanda no ENASE 2026: Debate Aborda Flexibilidade, Segurança Energética e Déficit de Potência

Painel destaca papel estratégico dos consumidores, agregadores e tecnologias digitais na modernização do setor elétrico brasileiro

O painel "RESPOSTA DA DEMANDA - Como combater o déficit de potência e reforçar a segurança energética?" reuniu Lorena Borges (LB Energy Advisory), Gustavo Ponte (EPE), Camilo Reis (AXIA Energia), Gustavo Checcuchi (Braskem/ABRACE) e Tatiane Moraes Pestana Cortes (ONS) para discutir um dos temas mais relevantes para o futuro do setor elétrico brasileiro: a flexibilidade do sistema.

Flexibilidade como Novo Desafio

Os participantes destacaram que o desafio energético do país não está mais apenas na expansão da oferta de energia, mas também na capacidade de atender às rápidas variações de carga ao longo do dia. Com o crescimento das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, a operação do sistema exige instrumentos capazes de equilibrar geração e consumo de forma cada vez mais dinâmica.

Nesse contexto, a resposta da demanda foi apontada como uma ferramenta estratégica para reforçar a segurança energética, reduzir custos e ampliar a eficiência do SIN. A possibilidade de consumidores ajustarem seu consumo em momentos específicos pode contribuir para reduzir a necessidade de investimentos mais caros em geração de ponta e infraestrutura adicional.

Flexibilidade como Ativo Estratégico

O consenso do painel foi que a flexibilidade passará a ser um dos principais ativos do setor elétrico nos próximos anos, exigindo novas soluções regulatórias, tecnológicas e de mercado para ampliar a participação dos consumidores na operação do sistema.

Consumidor como Recurso Operacional

Os especialistas defenderam uma mudança de visão sobre o papel do consumidor no setor elétrico.

Tradicionalmente, quando surgem desafios de suprimento ou necessidade de capacidade adicional, a principal resposta do mercado costuma ser a expansão da oferta por meio de novas usinas ou investimentos em infraestrutura. Os debatedores argumentaram que existe uma alternativa complementar e muitas vezes mais econômica: utilizar a flexibilidade do consumo como recurso operacional.

Redução de Picos e Equilíbrio do Sistema

A discussão mostrou que a resposta da demanda pode contribuir tanto para reduzir picos de carga quanto para enfrentar os desafios trazidos pela crescente participação das fontes renováveis na matriz elétrica. Ao deslocar ou reduzir o consumo em horários específicos, consumidores industriais, comerciais e futuramente até residenciais podem ajudar a equilibrar o sistema e diminuir custos para toda a cadeia.

Os participantes também destacaram que experiências internacionais demonstram o potencial desse modelo quando associado a sinais econômicos adequados e mecanismos capazes de remunerar corretamente a flexibilidade oferecida pelos consumidores.

Papel dos Agregadores

O papel dos agregadores foi um dos temas centrais do painel.

Os especialistas destacaram que a ampliação da resposta da demanda dependerá da capacidade de integrar consumidores de diferentes portes ao mercado de flexibilidade. Nesse cenário, os agregadores surgem como agentes fundamentais para reunir pequenas cargas, coordenar ofertas e representar consumidores perante os operadores do sistema.

Recursos Distribuídos e Tecnologias Digitais

A discussão mostrou que essa atuação será especialmente importante à medida que o mercado passa a incorporar recursos distribuídos, como geração distribuída, baterias, veículos elétricos e consumidores conectados por meio de tecnologias digitais. Com isso, será possível ampliar significativamente o universo de participantes aptos a contribuir para a segurança da operação.

Os debatedores ressaltaram ainda que tecnologias como medidores inteligentes, plataformas digitais, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial terão papel decisivo para viabilizar essa transformação, aumentando a confiabilidade das informações e permitindo respostas cada vez mais rápidas e precisas às necessidades do sistema elétrico.

Desafios para Aproveitamento Pleno

Os participantes destacaram que o potencial da resposta da demanda no Brasil ainda está longe de ser plenamente aproveitado.

Entre os principais desafios apontados estiveram a evolução dos modelos de linha de base, o aprimoramento dos sinais econômicos e a criação de novos produtos que permitam ampliar a participação dos consumidores. A avaliação dos especialistas foi de que muitos agentes possuem capacidade de flexibilizar seu consumo, mas ainda encontram barreiras regulatórias, operacionais e econômicas para transformar essa flexibilidade em um serviço efetivamente valorizado pelo sistema.

Integração e Digitalização

Outro ponto de destaque foi a necessidade de fortalecer a integração entre operadores, distribuidoras, agregadores e consumidores, criando mecanismos que ampliem a previsibilidade e a confiança dos agentes envolvidos. A qualidade dos dados, a evolução das metodologias de medição e a digitalização dos processos também foram apontadas como fatores essenciais para garantir a expansão desse mercado.

Os debatedores reforçaram que a resposta da demanda não deve ser vista apenas como uma ferramenta emergencial para períodos de escassez, mas como um componente permanente da modernização do setor elétrico brasileiro.

Flexibilidade como Pilar da Segurança Energética

Nas considerações finais, Lorena Borges, Gustavo Ponte, Camilo Reis, Gustavo Checcuchi e Tatiane Moraes Pestana Cortes convergiram em uma mensagem clara: a flexibilidade será um dos pilares da segurança energética brasileira nas próximas décadas.

Os participantes defenderam que o setor precisa avançar na construção de um ambiente capaz de estimular a participação ativa dos consumidores, criando mecanismos que valorizem economicamente a redução ou o deslocamento do consumo em momentos estratégicos para o sistema. Entre os fatores considerados essenciais para destravar esse potencial estão o aprimoramento da linha de base, a ampliação da disponibilidade e qualidade dos dados, a criação de novos produtos para diferentes perfis de consumidores e o fortalecimento dos sinais de preço.

Operação Colaborativa e Descentralizada

Também foi destacada a importância de incorporar novos agentes e tecnologias ao processo, incluindo agregadores, recursos energéticos distribuídos, plataformas digitais, inteligência artificial e sistemas de armazenamento. Para os especialistas, o futuro da operação elétrica será cada vez mais colaborativo, conectado e descentralizado.

O consenso do painel foi que a resposta da demanda está deixando de ser uma alternativa complementar para se tornar um recurso estratégico, capaz de contribuir para a confiabilidade do sistema, reduzir custos e apoiar a transição energética brasileira.