Planejamento e Operação do Sistema Elétrico no ENASE 2026: Debate Aborda Desafios entre Programação e Tempo Real
Painel destaca necessidade de evolução dos modelos, melhoria de previsões e integração entre agentes para garantir segurança e eficiência operacional
No ENASE 2026, o painel "Planejamento e Realidade da Operação no Sistema Elétrico: Superando os Desafios entre a Programação Diária e a Operação em Tempo Real", mediado por José Antonio Sorge, Sócio da Ágora Energia, reuniu Natália Caldeira, Gerente de Regulatório da ABEEólica; Luísa Moreira, Diretora de Otimização de Ativos da EDF Power Solutions; Victor Protázio da Silva, Diretor do Departamento de Desempenho da Operação do Sistema Elétrico do Ministério de Minas e Energia; Davi Rabelo, Assessor Técnico da ANEEL; e Maria Cândida Abib Lima, Gerente Executiva do Planejamento da Operação do ONS para discutir os desafios de aproximar planejamento e operação no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Transformação Profunda do Setor
O debate mostrou que o setor elétrico brasileiro vive uma transformação profunda, impulsionada pela expansão das fontes renováveis, da geração distribuída e por uma matriz cada vez mais dinâmica. Esse novo cenário aumenta a complexidade da operação e exige modelos mais aderentes à realidade, capazes de representar melhor a variabilidade da geração, o comportamento da carga e as novas condições do sistema.
Os especialistas destacaram que superar os desvios entre programação e operação em tempo real passa por evolução tecnológica, melhoria da qualidade dos dados, integração entre instituições e construção de soluções conjuntas para garantir segurança energética, eficiência econômica e previsibilidade para o mercado.
Modelos de Planejamento e Velocidade das Transformações
O painel trouxe uma discussão sobre um dos principais desafios atuais do setor elétrico: como fazer com que os modelos de planejamento acompanhem a velocidade das transformações que acontecem na operação.
A expansão acelerada das fontes eólica, solar e da geração distribuída mudou o perfil do Sistema Interligado Nacional. A realidade operacional passou a exigir maior capacidade de previsão, flexibilidade e resposta, especialmente diante da variabilidade dos recursos energéticos e das mudanças no comportamento da demanda.
Modernização de Modelos e Ferramentas
Durante o debate, foi ressaltado que o avanço depende de modelos matemáticos e computacionais mais modernos, maior observabilidade do sistema e aprimoramento das ferramentas utilizadas para programação, operação e formação de preços.
A aproximação entre planejamento e realidade operacional será fundamental para que o setor continue garantindo confiabilidade, segurança e eficiência em um ambiente cada vez mais complexo.
Novos Desafios da Matriz Elétrica
Os especialistas discutiram como a evolução da matriz elétrica brasileira trouxe novos desafios para a operação do sistema.
O crescimento das fontes intermitentes e da geração distribuída amplia a necessidade de previsibilidade, supervisão e integração de informações. A diferença entre o que é previsto nos modelos e o que acontece em tempo real impacta diretamente a operação, os investimentos e a formação dos preços de energia.
Caminhos para Maior Flexibilidade
Entre os caminhos apontados estão o aprimoramento das previsões de carga e geração, o desenvolvimento de novos modelos de operação, a evolução dos sinais de preço e a criação de mecanismos de maior flexibilidade, como resposta da demanda e novas soluções tecnológicas.
O debate reforçou que a transição energética exige não apenas novos ativos, mas também uma nova forma de planejar, operar e coordenar o sistema elétrico brasileiro.
Nova Realidade Operacional
No encerramento do painel, ficou evidente que o setor elétrico está diante de uma nova realidade operacional.
A discussão mostrou que a modernização dos modelos, a melhoria das previsões e a integração entre agentes são essenciais para lidar com um sistema mais renovável, descentralizado e complexo.
O desafio agora é transformar essa complexidade em oportunidade: com mais dados, inovação, cooperação institucional e evolução regulatória, o Brasil pode avançar na construção de um sistema elétrico mais flexível, seguro e preparado para o futuro.
Programação Determinativa e Participação dos Agentes
O debate mostrou que a expansão das fontes renováveis e da geração distribuída transformou a dinâmica do sistema, tornando a previsão de geração, carga e operação um desafio ainda maior. Nesse cenário, a evolução dos modelos, a melhoria da qualidade dos dados e a integração entre agentes, operadores e instituições são fundamentais para uma operação mais eficiente e segura.
Um dos principais pontos destacados foi a necessidade de avançar na programação determinativa e ampliar a participação dos agentes na construção das previsões, criando uma transição colaborativa para um novo modelo de operação, com mais previsibilidade e assertividade.
Segurança Regulatória e Atração de Investimentos
O painel também reforçou que a atração de novos investimentos depende de um ambiente com maior segurança regulatória e capacidade de precificar riscos. Para a expansão das fontes renováveis, transformar incertezas em riscos conhecidos é um passo essencial para garantir sustentabilidade e confiança no mercado.
Inovação e Sistema Resiliente
O painel evidenciou que os desafios são grandes, mas também abrem espaço para inovação, cooperação e construção de um sistema elétrico mais inteligente e resiliente.
Participaram do debate: José Antonio Sorge, Sócio - Ágora Energia; Natália Caldeira, Gerente de Regulatório - ABEEólica; Luísa Moreira, Diretora de Otimização de Ativos - EDF Power Solutions; Victor Protázio da Silva, Diretor do Departamento de Desempenho da Operação do Sistema Elétrico - Ministério de Minas e Energia; Davi Rabelo, Assessor Técnico - ANEEL; e Maria Cândida Abib Lima, Gerente Executiva do Planejamento da Operação - ONS.


