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24ª Edição  - 16-17 de Junho/2027
Hotel Windsor Oceânico 
R. Martinho de Mesquita, 129 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 22620-220

Mudanças Climáticas e COP30 no ENASE 2026: Debate Aborda Mercado de Carbono, Resiliência e Transição Energética

Painel destaca implementação do SBCE, adaptação climática e papel estratégico do setor elétrico na descarbonização da economia

No painel "Mudanças Climáticas e a Operação do Sistema: Legado da COP30 e Próximos Passos", Thiago Barral, Subsecretário de Implementação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, apresentou um panorama das políticas e marcos regulatórios que vêm sendo estruturados para apoiar a transição energética brasileira.

Agenda Integrada entre Energia e Sustentabilidade

A discussão, moderada por Laiz Hérida (HL Soluções), reuniu Lucas Costamilan (CEBDS), Alexandre Uhlig (Instituto Acende Brasil) e Ricardo Cyrino (Evoltz) para debater os impactos das mudanças climáticas sobre o setor elétrico, a implementação do mercado regulado de carbono e os desafios de construir uma agenda integrada entre energia, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

Para os participantes, os compromissos assumidos pelo Brasil exigirão planejamento de longo prazo, coordenação entre diferentes políticas públicas e uma visão cada vez mais estratégica da energia como vetor de competitividade e desenvolvimento.

Agenda Climática como Tema Central

Especialistas destacaram que a agenda climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um tema central de desenvolvimento econômico, industrial, segurança energética e competitividade.

Ao analisar o legado da COP30, os debatedores ressaltaram a importância da regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e da harmonização entre as diversas políticas aprovadas nos últimos anos, como os marcos do hidrogênio de baixo carbono, do combustível do futuro e da abertura do mercado elétrico.

Implementação Coordenada

O consenso do painel foi que o desafio agora não é criar novas leis, mas garantir uma implementação coordenada, capaz de transformar os avanços regulatórios em investimentos, inovação e oportunidades para o país.

Eventos Climáticos Extremos e Infraestrutura

Os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a infraestrutura energética ganharam destaque durante o painel.

Os especialistas lembraram que secas severas, enchentes, ventos extremos e queimadas têm se tornado mais frequentes, exigindo novos investimentos em resiliência, adaptação e gestão de riscos. O debate mostrou que a infraestrutura do futuro já começa a incorporar essas variáveis, mas que também será necessário adequar ativos existentes e aprimorar mecanismos regulatórios para enfrentar uma realidade climática cada vez mais desafiadora.

Adaptação como Condição Essencial

A discussão reforçou que adaptação climática não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma condição essencial para garantir segurança energética, confiabilidade operacional e sustentabilidade econômica no longo prazo.

Papel Estratégico na Descarbonização

Nas considerações finais, Thiago Barral, Lucas Costamilan, Alexandre Uhlig e Ricardo Cyrino reforçaram que o setor elétrico brasileiro tem papel estratégico na descarbonização da economia e na construção de um modelo de desenvolvimento mais resiliente.

Os especialistas destacaram que, mais do que reduzir suas próprias emissões, o setor pode impulsionar a transição energética por meio da eletrificação da indústria, dos transportes e de novas cadeias produtivas associadas à energia limpa. Também defenderam avanços em planejamento, gestão de riscos, adaptação climática e sinalização econômica para ampliar a competitividade do país em um cenário global cada vez mais desafiador.

Harmonização Regulatória

O debate reforçou ainda a importância de harmonizar os diversos marcos regulatórios em implementação, incluindo o mercado de carbono, os programas de combustíveis de baixo carbono e a modernização do setor elétrico, para garantir segurança jurídica e atrair investimentos.

Potencial em Ações Concretas

A avaliação dos participantes foi que o Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética global, mas precisará transformar seu potencial em ações concretas, com visão integrada, planejamento de longo prazo e capacidade de execução.