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23ª Edição  - 17-18 de Junho 
Hotel Windsor Oceânico 
Horário: 9h às 18h 
R. Martinho de Mesquita, 129 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 22620-220

Geopolítica e Energia: ENASE 2026 Debate Impactos dos Conflitos Internacionais e o Papel do Brasil na Transição Energética Global

Painel reuniu especialistas para discutir segurança energética, investimentos de US$ 2,3 trilhões e o papel da inteligência artificial no setor elétrico

O ENASE 2026 promoveu nesta edição um debate aprofundado sobre geopolítica e energia, abordando questões centrais que estão redesenhando o mapa energético mundial. O painel "Energia e Geopolítica: Decifrando os Desafios Globais" reuniu especialistas para analisar como os conflitos internacionais impactam a segurança energética, os rumos dos investimentos globais e as oportunidades estratégicas para o Brasil.

Questões Estratégicas em Debate

O painel foi estruturado a partir de questões fundamentais para o futuro do setor: Como os conflitos internacionais estão redesenhando o mapa da energia? O mundo caminha para uma maior integração dos sistemas energéticos ou para uma busca crescente por autossuficiência? A transição energética é um caminho sem volta ou os conflitos geopolíticos podem mudar sua direção? E quais serão os principais destinos dos investimentos em energia na próxima década?

Essas perguntas nortearam uma discussão que explorou os impactos das tensões internacionais sobre a segurança energética, os efeitos da disputa tecnológica global, os desafios da transição energética e o papel dos investimentos em infraestrutura, eletrificação e tecnologias de baixo carbono.

Transição Energética: Direção Estrutural Mantida

Ao analisar as tendências globais para a próxima década, Rafael Rabioglio, Head LATAM da BloombergNEF, destacou a força dos investimentos em transição energética, que alcançaram US$ 2,3 trilhões em 2025. "Os eventos geopolíticos podem acelerar ou desacelerar a transição, mas não alteram sua direção estrutural", afirmou.

Rabioglio ressaltou que as energias renováveis já atraem mais investimentos do que a geração fóssil e que a participação de tecnologias como solar, eólica, baterias e veículos elétricos continuará crescendo nas próximas décadas. "O mundo continua investindo em segurança energética por meio da transição energética", destacou o especialista.

Brasil: Potencial e Desafios Estratégicos

Elena Landau trouxe uma reflexão sobre os desafios brasileiros para competir nesse novo contexto global. "O Brasil tem vantagens comparativas imensas. A questão é como transformar esse potencial em competitividade", afirmou.

Rafael Rabioglio complementou essa análise ao destacar a importância de o país definir estrategicamente sua posição nas cadeias globais de valor da nova economia energética. "A questão é entender onde o Brasil quer jogar nessa transição energética", enfatizou.

O especialista chamou atenção para a relevância dos minerais críticos, das baterias e das tecnologias limpas, segmentos atualmente dominados pela China, mas que podem representar oportunidades para o Brasil ampliar sua participação industrial e tecnológica. Para o país, o desafio passa por planejamento, governança, eficiência e capacidade de transformar sua abundância de recursos energéticos em liderança global.

Inteligência Artificial e Digitalização: Nova Fronteira

A digitalização da economia, o avanço da inteligência artificial e o crescimento dos data centers estão criando uma nova realidade para o setor elétrico global. Gabriel Cunha, diretor técnico de Assuntos Internacionais da PSR, destacou que a inteligência artificial representa não apenas uma nova fonte de demanda por energia, mas também uma ferramenta fundamental para o planejamento e a operação dos sistemas elétricos do futuro.

"Não é fingindo que essa revolução não existe que vamos solucionar esses problemas", afirmou o especialista ao defender o uso de inteligência artificial, modelagem avançada e maior capacidade computacional para lidar com a crescente complexidade do setor, impulsionada pela expansão das fontes renováveis e pelos impactos das mudanças climáticas.

Segundo Gabriel Cunha, o Brasil tem a oportunidade de utilizar novas tecnologias para aprimorar o planejamento energético, ampliar a flexibilidade do sistema, aperfeiçoar sinais de preço e criar um ambiente mais favorável à inovação e aos investimentos.

Cenário Complexo e Interconectado

A discussão trouxe reflexões sobre como países e empresas estão se preparando para um cenário cada vez mais complexo, em que energia, economia, clima e relações internacionais estão profundamente conectados. Os especialistas evidenciaram que o setor energético global atravessa um momento de transformação estrutural, marcado por múltiplas pressões simultâneas.

O debate mostrou que, apesar das incertezas geopolíticas, os investimentos em energias renováveis, eletrificação e infraestrutura seguem avançando em todo o mundo. A mensagem deixada pelo painel foi clara: em um cenário de transformação acelerada, tecnologia, inteligência artificial e governança serão elementos cada vez mais estratégicos para garantir segurança energética, eficiência e competitividade.

Perguntas Certas para o Futuro

Mais do que respostas definitivas, o painel reforçou a importância de fazer as perguntas certas para compreender os desafios que irão moldar o futuro da energia no Brasil e no mundo. A discussão destacou que o setor elétrico está sendo redesenhado por vetores que vão além da transição energética tradicional, incorporando questões de segurança nacional, competitividade econômica e autonomia tecnológica.

Em um cenário de reorganização geopolítica e transformação tecnológica acelerada, acompanhar os movimentos globais e construir uma estratégia de longo prazo será fundamental para que o Brasil transforme seu potencial energético em desenvolvimento econômico e competitividade.

O ENASE 2026 prossegue com uma programação abrangente, abordando os temas mais relevantes para a transformação do setor elétrico brasileiro.