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23ª Edição  - 17-18 de Junho 
Hotel Windsor Oceânico 
Horário: 9h às 18h 
R. Martinho de Mesquita, 129 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 22620-220

Flexibilidade Operacional: ENASE 2026 Debate Experiência do Texas e Desafios do Brasil na Integração de Renováveis

Painel reuniu especialistas para discutir modelos de mercado, armazenamento, sinais econômicos e gestão da demanda digital

O painel "Flexibilidade Operacional" do ENASE 2026 reuniu especialistas brasileiros e internacionais para debater como garantir segurança energética em um sistema com crescente participação de fontes renováveis, geração distribuída e maior complexidade operacional.

Experiência do Texas: Mercado Competitivo e Transformação Acelerada

A experiência do Texas na integração de fontes renováveis e na gestão da flexibilidade do sistema elétrico esteve no centro das discussões. Durante sua apresentação, Dan Woodfin, vice-presidente de Operações da ERCOT (Electric Reliability Council of Texas), explicou como funciona o mercado elétrico texano, considerado um dos mais competitivos do mundo. Segundo ele, o sistema opera em ambiente totalmente aberto à concorrência, com decisões de investimento em geração realizadas pelos próprios agentes de mercado, sem planejamento centralizado para expansão da oferta.

Woodfin destacou que o modelo permitiu uma rápida transformação da matriz elétrica do estado, impulsionando investimentos em fontes renováveis. Atualmente, o Texas conta com cerca de 30 GW de capacidade eólica e 30 GW de capacidade solar instaladas, além de um crescimento acelerado dos sistemas de armazenamento por baterias.

O executivo revelou que a participação combinada de energia eólica e solar já chegou a atender 87% da demanda instantânea do sistema em determinados momentos, enquanto essas fontes responderam por quase 40% da geração total de energia em 2025.

Armazenamento Impulsionado por Sinais de Mercado

Segundo Dan Woodfin, o estado registra níveis relativamente baixos de curtailment, com cerca de 5% da energia eólica e solar sendo cortada. Metade desse volume está relacionada a restrições de transmissão e a outra metade ocorre em momentos em que há geração abundante, mas pouca demanda.

Para enfrentar esse desafio, o Texas investiu na expansão da infraestrutura de transmissão e criou condições para atrair novas cargas para regiões com excedente energético. Entre os exemplos citados estão mineradoras de bitcoin, operações de petróleo e gás e a crescente demanda de data centers.

Outro destaque foi o avanço acelerado do armazenamento em baterias. Atualmente, cerca de 20 GW de baterias já foram desenvolvidos por agentes privados, impulsionados exclusivamente pelos sinais econômicos do mercado.

"As baterias enxergam uma oportunidade de comprar energia quando os preços estão baixos e vender quando estão altos. Isso foi suficiente para justificar a construção de cerca de 20 GW de armazenamento", afirmou.

Para Dan Woodfin, a combinação entre preços locacionais, atualização dos valores a cada cinco minutos e liberdade para investimento privado tem sido fundamental para estimular soluções que aumentam a flexibilidade do sistema e apoiam a expansão das fontes renováveis.

Novo Desafio: Explosão da Demanda Digital

Ao mesmo tempo, o executivo chamou atenção para um novo desafio: o crescimento explosivo da demanda associado à digitalização da economia. Segundo Woodfin, a ERCOT já possui milhares de megawatts em operação entre data centers e mineração de Bitcoin e analisa pedidos de conexão que superam 440 GW de novas cargas, impulsionadas principalmente pela expansão da inteligência artificial.

"O desafio agora é saber se o mercado conseguirá incentivar a construção da quantidade necessária de geração para atender essa nova demanda", destacou.

Desafios Brasileiros: Flexibilidade como Ativo Estratégico

Os debatedores brasileiros destacaram que o país vive um paradoxo: possui mais do que o dobro da capacidade instalada em relação à demanda máxima, mas ainda enfrenta desafios para garantir energia nos momentos de maior necessidade. A solução passa pela valorização da flexibilidade, com novos modelos de contratação, aprimoramento regulatório, sinais econômicos mais eficientes e integração entre geração, transmissão, distribuição e consumo.

"A flexibilidade tem valor e tem custo. A solução estrutural passa por uma formação de preço adequada", destacou um dos participantes.

"Tem muita flexibilidade para ser desbloqueada nos ativos que já existem hoje", complementou outro debatedor.

"Nós nos preparamos para fornecer esse produto, porque entendemos que a flexibilidade é uma necessidade crescente do sistema", afirmou representante do setor de geração.

Perspectivas Integradas

Participaram do debate Alexei Vivan, Presidente da ABCE; Lino Lopes Cançado, CEO da ENEVA; Alexandre Zucarato, Diretor de Planejamento do ONS; e João Daniel Cascalho, Secretário Nacional de Energia Elétrica do MME, trazendo diferentes perspectivas sobre os caminhos para garantir um setor elétrico mais resiliente, seguro e preparado para a transição energética.

A apresentação reforçou um dos principais temas debatidos no ENASE: como garantir flexibilidade, segurança energética e expansão da oferta em um cenário marcado pela rápida eletrificação da economia, pelo crescimento da inteligência artificial e pela ampliação da participação das fontes renováveis.