Armazenamento e BESS no ENASE 2026: Debate Aborda Viabilização, Valoração e Flexibilidade Energética
Painel destaca necessidade de avanços regulatórios e precificação adequada para consolidar mercado de baterias no Brasil
O painel "Armazenamento e BESS: Viabilização e valoração real da flexibilidade energética" reuniu Daniel Carneiro, sócio da Câmara Falcão & Gava Sociedade de Advogados, e os especialistas Bruno Monte (CPFL), Wilson Assofra (Santander), Markus Vlasits (ABSAE) e Rui Altieri (APINE) para discutir um dos temas mais estratégicos para o futuro do setor elétrico brasileiro.
Flexibilidade como Requisito Essencial
Com o crescimento acelerado das fontes renováveis, a flexibilidade passou a ser um requisito essencial para garantir segurança, eficiência e confiabilidade ao sistema. Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias (BESS) foram apontados como uma solução capaz de ampliar o aproveitamento da geração renovável, reduzir restrições operacionais e apoiar o equilíbrio da rede elétrica.
Os participantes destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para o desenvolvimento desse mercado, mas que a consolidação do setor dependerá de avanços regulatórios, sinais econômicos adequados e modelos de negócio capazes de atrair investimentos em larga escala.
Reconhecimento Econômico dos Benefícios
Um dos principais debates foi a necessidade de reconhecer economicamente os benefícios que as baterias entregam ao sistema elétrico.
Os especialistas ressaltaram que o armazenamento não beneficia apenas os proprietários dos projetos, mas toda a cadeia do setor. As baterias podem reduzir cortes de geração renovável, aliviar congestionamentos na rede, aumentar a confiabilidade da operação e oferecer respostas rápidas em momentos críticos do sistema.
Nesse cenário, os participantes defenderam o avanço de mecanismos regulatórios e de precificação capazes de valorizar esses atributos. A avaliação foi de que a tecnologia já atingiu um nível elevado de maturidade técnica e que o próximo desafio está na criação de condições que permitam sua expansão comercial em larga escala.
Potencial de Crescimento do Mercado
O painel também trouxe reflexões sobre o potencial de crescimento do mercado brasileiro de baterias nos próximos anos.
Os debatedores destacaram que o armazenamento deverá avançar tanto em grandes projetos conectados à rede quanto em aplicações junto aos consumidores, por meio de sistemas instalados atrás do medidor. Experiências internacionais mostram que a combinação entre energia solar e baterias tende a ganhar espaço à medida que evoluem os sinais tarifários e os mecanismos de remuneração.
Ferramenta Estratégica para Transformação
A discussão reforçou que o armazenamento não deve ser visto apenas como uma tecnologia complementar, mas como uma ferramenta estratégica para apoiar a integração das renováveis, aumentar a flexibilidade do sistema e reduzir custos operacionais ao longo do tempo.
Para os especialistas, a tendência é que as baterias desempenhem um papel cada vez mais relevante na transformação do setor elétrico brasileiro.
Momento Decisivo para Consolidação
Nas considerações finais, Bruno Monte (CPFL), Wilson Assofra (Santander), Markus Vlasits (ABSAE) e Rui Altieri (APINE) destacaram que o setor vive um momento decisivo para a consolidação do armazenamento de energia no Brasil.
Os participantes avaliaram que existe uma convergência inédita entre agentes do setor elétrico, investidores, fabricantes e instituições financeiras sobre a importância de ampliar as soluções de flexibilidade para atender às novas demandas do sistema. Também ressaltaram que o capital, a tecnologia e o interesse empresarial já estão disponíveis para impulsionar novos projetos.
Infraestrutura Estratégica
O consenso do painel foi que os próximos avanços dependerão da evolução regulatória, da correta precificação dos atributos das baterias e da construção de um ambiente capaz de oferecer previsibilidade aos investidores.
Os participantes defendem que o armazenamento está deixando de ser uma aposta para se tornar uma infraestrutura estratégica, fundamental para garantir segurança energética, integração das renováveis e modernização do sistema elétrico brasileiro.


